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Armazenamento de energia: presidente da Absae cobra novas regras

Markus Vlasits, presidente da Absae, entra na lista dos 100 Mais Influentes da Energia e defende regras para contratar capacidade e serviços ancilares.

Publicado em · ABSAE

Markus Vlasits, presidente da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), foi incluído pela revista Full Energy na seleção dos “100 Mais Influentes da Energia”, que reúne lideranças com atuação em políticas públicas, inovação e desenvolvimento do setor elétrico brasileiro. A Absae divulgou o reconhecimento em 25 de fevereiro de 2026. Na entrevista à publicação, o dirigente apresentou sua leitura sobre os gargalos do sistema elétrico e as prioridades para que o armazenamento ganhe espaço no planejamento energético do país.

Os problemas que a transição energética já expõe

Para Vlasits, os efeitos da expansão das fontes renováveis intermitentes deixaram de ser uma projeção e passaram a aparecer na operação cotidiana. Ele destacou três sintomas principais:

  • Vertimento crescente: energia limpa e barata que deixa de ser aproveitada porque a rede ou a demanda não conseguem absorvê-la no momento da geração.
  • Déficit de potência na ponta noturna: quando a geração solar some no fim do dia, o sistema precisa de recursos capazes de atender ao pico de consumo.
  • Maior vulnerabilidade a distúrbios: uma rede com mais fontes variáveis tende a ficar mais sensível a eventos que afetam sua estabilidade.

O presidente da Absae também mencionou as dificuldades enfrentadas por um número cada vez maior de empresas de renováveis. Na avaliação dele, o armazenamento é a única tecnologia que consegue atacar ao mesmo tempo o vertimento e a falta de potência, além de ajudar na estabilidade do sistema, com a vantagem da rapidez de implantação.

Na prática, um sistema de baterias (BESS) pode carregar nos horários de sobra de geração e descarregar no período de maior demanda, deslocando energia no tempo. Também pode responder em frações de segundo a variações na rede, o que o torna candidato natural a prestar serviços de suporte ao sistema.

As agendas prioritárias defendidas pela Absae

Na entrevista, Vlasits apontou um conjunto de frentes que considera decisivas para os próximos anos:

  • Aprimoramento regulatório, para que o armazenamento seja tratado de forma estruturada nas regras do setor.
  • Sinais econômicos adequados para a contratação de capacidade e de serviços ancilares.
  • Previsibilidade, condição para atrair investimentos e acelerar a implementação de projetos.

Contratar capacidade significa remunerar um recurso por estar disponível para entregar potência quando o sistema precisar, e não apenas pela energia efetivamente vendida. Já os serviços ancilares são funções de apoio à operação, como controle de frequência e de tensão, que mantêm a rede estável. Sem regras claras de remuneração para essas funções, o modelo de negócio das baterias fica incompleto.

Por que o reconhecimento importa para o setor

A inclusão de um representante do armazenamento em uma lista de lideranças do setor elétrico sinaliza que o tema ganhou peso no debate nacional. A Absae tem buscado posicionar as baterias não como um complemento opcional, mas como parte da solução para os desafios operacionais que a própria expansão renovável criou. O momento é descrito pela associação como decisivo para o avanço da tecnologia no Brasil.

O que muda na prática para quem atua com BESS

O reconhecimento não altera regras nem cria contratação imediata, mas reforça a linha de argumentação que o mercado vem levando a reguladores e planejadores. Para cada elo da cadeia, os pontos de atenção são:

  • Desenvolvedores: ganham respaldo para defender mecanismos de remuneração por capacidade e por serviços ancilares, mas a viabilidade dos projetos continua condicionada à evolução regulatória.
  • EPCs: devem acompanhar a definição das regras, já que a velocidade de implantação é um dos principais argumentos a favor das baterias e precisará ser comprovada quando a demanda surgir.
  • Fabricantes e fornecedores: a sinalização de previsibilidade é o fator que permitirá planejar oferta e presença no país com mais segurança.

Enquanto os ajustes não se concretizam, o recomendável é estruturar projetos e estudos técnicos de forma que possam responder rapidamente quando os sinais econômicos estiverem definidos.

Fonte original: ABSAE — Presidente da Absae é destaque na Revist Full Energy, “100 Mais Influentes da Energia”, e reforça papel estratégico do armazenamento

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