A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) usou o debate organizado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), realizado na segunda-feira, 8 de dezembro, para cobrar pressa na contratação de baterias pelo setor elétrico. O presidente do Conselho da entidade, Markus Vlasits, defendeu que o país realize um leilão de armazenamento sem mais demora, citando o déficit de potência projetado para 2027. O encontro reuniu governo, especialistas e agentes de mercado para discutir regulação, projetos em curso e as expectativas para 2026.
Um ano de avanços para o armazenamento
Na avaliação apresentada por Vlasits, 2025 trouxe conquistas relevantes para o segmento de sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla BESS. Entre os marcos citados estão:
- o leilão de sistemas isolados, que abriu espaço para soluções de armazenamento em localidades não conectadas à rede principal;
- a promulgação da Lei nº 15.269/2025;
- a expansão acelerada das baterias em aplicações comerciais e industriais;
- a Consulta Pública nº 39 da Aneel, parte do esforço regulatório para enquadrar a tecnologia.
Para o dirigente, apesar dos obstáculos que ainda existem, o armazenamento está ganhando espaço de forma rápida em diferentes usos no Brasil. A leitura é de que a tecnologia já deixou a fase experimental e precisa agora de um instrumento de contratação em escala.
Por que a Absae fala em urgência
O argumento central da associação combina dois fatores: a necessidade do sistema e a velocidade de implantação das baterias. Com a previsão de falta de potência em 2027, o tempo para contratar e construir novos recursos é curto. Segundo Vlasits, projetos de baterias podem ficar prontos em um intervalo de 12 a 18 meses, prazo que os torna candidatos naturais para responder a esse tipo de demanda.
O dirigente deixou claro que o formato do certame é secundário. O leilão poderia ser estruturado pelo lado da geração, pela transmissão ou por outra modalidade, desde que aconteça. Na visão dele, o país não pode se dar ao luxo de passar mais um ano ou um ano e meio discutindo o modelo de inserção da tecnologia, porque o sistema elétrico precisa dela.
Vale lembrar que, em leilões de potência, o que se contrata é a disponibilidade de entregar energia nos momentos de maior exigência do sistema, e não apenas o volume de energia produzido ao longo do tempo. Baterias se encaixam nessa lógica por conseguirem armazenar energia e despachá-la rapidamente quando solicitadas.
Transparência de custos para o consumidor
Outro ponto levantado pela Absae foi a importância de políticas que deem visibilidade aos custos do sistema. A proposta é que consumidores e usuários consigam entender com clareza qual impacto cada perfil de consumo provoca na rede. Esse tipo de sinal tende a valorizar soluções capazes de deslocar consumo e reduzir picos, como o armazenamento instalado atrás do medidor em empresas e indústrias.
O que muda na prática para a cadeia de BESS
Embora ainda não haja um leilão de armazenamento definido, o posicionamento da Absae no debate com MME e BNDES indica que a pressão por um certame ligado ao déficit de potência de 2027 deve crescer. Para quem atua no setor, alguns movimentos fazem sentido:
- Desenvolvedores: estruturar projetos com cronograma realista de entrega entre 12 e 18 meses, com licenciamento, terreno e acesso à rede encaminhados, para não perder uma eventual janela de contratação.
- EPCs: preparar capacidade de execução para obras com prazos curtos e padronizar soluções que reduzam o tempo de montagem e comissionamento.
- Fabricantes e fornecedores: avaliar disponibilidade de equipamentos e logística para atender a uma demanda que pode se concentrar em pouco tempo caso o leilão seja convocado.
- Todos os elos: acompanhar os desdobramentos da Consulta Pública nº 39 da Aneel e da Lei nº 15.269/2025, que vão moldar as regras do jogo.
O mercado comercial e industrial, citado como uma das frentes que mais cresceram em 2025, segue como alternativa para manter a carteira ativa enquanto a contratação centralizada não se concretiza. Quem chegar ao eventual leilão com projetos maduros terá vantagem competitiva.
Fonte original: ABSAE — Absae reforça urgência do leilão de armazenamento em debate do MME e BNDES