Na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) reuniu em sua sede, em Brasília, a diretoria do órgão e os representantes das empresas vencedoras de dois certames realizados neste ano para assinar os contratos correspondentes. Os documentos firmados referem-se ao Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP nº 2/2026) e à segunda etapa do Leilão de Transmissão nº 1/2026. Participaram da cerimônia o diretor-geral Sandoval Feitosa, a diretora Ludimila Lima e o diretor Willamy Frota, além de servidores, investidores e agentes do setor elétrico. O evento teve transmissão pelo canal da agência no YouTube.
O que foi contratado no LRCAP nº 2/2026
O leilão de reserva de capacidade é o instrumento usado pelo planejamento do setor elétrico para assegurar que o sistema tenha potência disponível nos momentos de maior exigência, e não apenas energia ao longo do ano. Nesse tipo de contrato, o que se remunera é a capacidade de entregar potência quando o operador precisar.
Nesta edição, a contratação ficou restrita à ampliação de cinco usinas hidrelétricas. Somadas, essas expansões vão acrescentar 2,5 GW de disponibilidade de potência ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com a assinatura, as empresas passam a ter a obrigação formal de manter essa potência à disposição da rede nos termos pactuados.
Os quatro lotes da segunda etapa do Leilão de Transmissão
No caso da transmissão, a segunda etapa do certame nº 1/2026 concedeu quatro novos lotes de empreendimentos localizados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Os contratos de concessão definem as responsabilidades das vencedoras pela implantação, operação e manutenção das novas instalações que passarão a compor a rede básica.
- Investimento estimado: R$ 1,75 bilhão;
- Deságio médio: 53,20%;
- Potencial de geração de empregos durante as obras: mais de 4 mil postos.
O deságio elevado indica forte disputa entre os participantes e reduz a receita que será paga aos concessionários ao longo da concessão, o que tende a aliviar o custo da expansão da rede para os consumidores.
Por que a cerimônia importa
A assinatura encerra o ciclo formal dos dois leilões. A partir daqui, os compromissos deixam de ser lances e passam a ser obrigações contratuais com prazos e penalidades. Para o mercado, isso dá previsibilidade sobre quais ativos efetivamente vão entrar no sistema e ajuda a mapear onde ainda há lacunas de potência e de infraestrutura de transmissão a serem endereçadas em certames futuros.
O que muda na prática para o mercado de BESS
O ponto central para quem atua com armazenamento em baterias é direto: os 2,5 GW do LRCAP nº 2/2026 foram integralmente atendidos por ampliação de hidrelétricas. Ou seja, essa parcela da demanda por potência firme não foi direcionada a sistemas BESS, que seguem aguardando um certame próprio ou com regras que permitam sua participação.
- Desenvolvedores: devem manter os projetos maduros em licenciamento, terreno e estudos de acesso, para estarem prontos quando um leilão compatível com baterias for convocado. A competição com hidrelétricas existentes mostra que o custo da potência ofertada será comparado com alternativas já instaladas.
- EPCs: a ausência de contratação imediata pede cautela no dimensionamento de equipes e cronogramas, mas é um bom momento para padronizar soluções e reduzir custos de implantação.
- Fabricantes e fornecedores: a demanda contratada por leilão de capacidade ainda não se materializou para baterias; parcerias com desenvolvedores e certificação de equipamentos para o mercado brasileiro continuam sendo preparação estratégica.
- Transmissão e conexão: os novos lotes ampliam a rede em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Acompanhar a evolução da margem de conexão nessas e em outras regiões ajuda a identificar pontos onde o armazenamento pode agregar valor à operação do sistema.
Em resumo, o resultado reforça que o espaço das baterias no planejamento de potência do Brasil depende das próximas definições regulatórias, e quem chegar preparado a esses certames terá vantagem.
Fonte original: ANEEL — ANEEL assina novos contratos de geração e transmissão de energia elétrica