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Armazenamento de energia (BESS) e o excesso de oferta solar

Com 42,3 GW de micro e minigeração distribuída e 10,6 GW solares adicionados no ano, a rede não acompanhou; baterias BESS surgem como resposta.

Publicado em · ABSOLAR

Uma reportagem de Maria Guilhermina, publicada pela Revista Potência em 15 de julho de 2026 e reproduzida pela Absolar em 20 de julho, analisa uma contradição do setor elétrico brasileiro. O país passou a conviver com sobra de energia em determinados momentos, mas opera um sistema concebido para administrar falta. Nesse cenário, o armazenamento em baterias (BESS) aparece como peça para reequilibrar a relação entre geração e rede.

Uma expansão solar com ganhos expressivos

A reportagem parte dos benefícios do crescimento da fonte fotovoltaica. Segundo a Absolar, a energia solar já evitou a emissão de cerca de 105,9 milhões de toneladas de CO2 na geração de eletricidade. Também respondeu por mais de 1,9 milhão de empregos criados desde 2012.

O ritmo de expansão segue elevado. De acordo com a associação, o setor fotovoltaico acrescentou 10,6 GW ao sistema elétrico no ano passado. A projeção é repetir o mesmo volume em 2026. Para dar escala ao número, a matéria o compara à hidrelétrica de Belo Monte, uma das maiores do país, que tem 11,2 GW de capacidade instalada. Em outras palavras, a fonte solar adiciona a cada ano quase o equivalente a uma usina desse porte.

A rede de distribuição ficou para trás

O ponto central da análise é o descompasso entre geração e infraestrutura. A rede de distribuição não evoluiu na mesma velocidade da fonte solar. O efeito é mais visível na micro e minigeração distribuída (MMGD), formada por sistemas instalados pelos próprios consumidores.

Dados da Aneel citados na reportagem indicam que a MMGD já soma cerca de 42,3 GW. Parte dessa produção é consumida no local, em residências e empresas. Outra parte é injetada na rede e passa a integrar a matriz elétrica.

Esse fluxo excedente gera um problema conhecido. As redes de distribuição foram desenhadas para levar energia em um único sentido, da subestação até o consumidor. Quando muitos sistemas injetam energia ao mesmo tempo, sobretudo nas horas de maior irradiação, alguns trechos podem chegar ao limite técnico. Daí a ideia de excesso de oferta convivendo com uma estrutura planejada para a escassez.

Onde as baterias entram

Um BESS armazena energia em baterias e a devolve à rede em outro momento. Na prática, pode absorver a geração solar que sobra no meio do dia e liberá-la quando a demanda aumenta ou quando a produção fotovoltaica cai.

Esse deslocamento no tempo ajuda a reduzir a pressão sobre pontos congestionados da rede. Também permite aproveitar melhor uma energia que, sem armazenamento, poderia ter a injeção limitada. Instalados perto da carga ou da geração, sistemas de baterias funcionam como amortecedores locais. Para isso, prestam serviços como controle de tensão, gestão de picos e maior flexibilidade operacional.

O que muda na prática para o mercado de BESS

O diagnóstico da reportagem tem consequências diretas para a cadeia de armazenamento:

  • Desenvolvedores: a combinação de MMGD em alta e rede saturada aponta para oportunidades em projetos que associem baterias à geração existente ou que aliviem gargalos de distribuição. Mapear onde a injeção solar já pressiona a rede passa a ser etapa estratégica.
  • EPCs: a demanda tende a crescer para soluções híbridas e para a adaptação de usinas solares já em operação com armazenamento. Isso exige domínio de integração, proteção e conexão à rede de distribuição.
  • Fabricantes e fornecedores: com a fonte solar acrescentando volumes próximos ao de Belo Monte a cada ano, o mercado potencial para baterias, inversores e sistemas de gestão de energia acompanha essa escala. A atenção deve se voltar a soluções modulares, adequadas tanto à geração distribuída quanto a projetos maiores.

A mensagem de fundo é que o desafio deixou de ser produzir energia limpa e passou a ser acomodá-la. Quem oferecer flexibilidade à rede deve ocupar posição relevante na próxima fase da transição energética brasileira.

Fonte original: ABSOLAR — Papel do BESS em um setor energético com excesso de oferta e sistema projetado para escassez

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