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Leilão de baterias na Argentina: preços e regras do AlmaSADI

Argentina contrata 700,5 MW em baterias no AlmaSADI, com 8.338 MW ofertados e menor preço de US$ 7.632/MW-mês; veja regras e lições para o Brasil.

Publicado em · ABSAE

A Argentina concluiu em 2026 o seu segundo leilão dedicado a sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS), o AlmaSADI. Ele veio depois do AlmaGBA, realizado em 2025 para a região metropolitana de Buenos Aires. A análise publicada pela ABSAE mostra uma queda expressiva de preços de um certame para o outro e uma competição bem mais intensa. Para quem desenvolve projetos de armazenamento no Brasil, os dois processos funcionam como um laboratório próximo de desenho de contratos e de formação de preços.

Dois leilões, dois problemas diferentes

O AlmaGBA nasceu para enfrentar riscos de abastecimento e as restrições da rede na Grande Buenos Aires. A meta inicial era de 500 MW. O certame atraiu 27 projetos de 15 empresas, que somaram 1.347 MW. A adjudicação inicial chegou a 667 MW, e a potência final contratada foi de 713 MW. Os contratos valem até 2041 ou por 15 anos. A data-objetivo de operação é 1º de janeiro de 2027, e o prazo limite para habilitar todos os equipamentos é 31 de dezembro de 2028.

O AlmaSADI, por sua vez, mirou o sistema interligado nacional (SADI). O objetivo era aliviar gargalos de geração e de integração de renováveis, reforçar a confiabilidade, cobrir os picos de demanda e prestar serviços de potência e de reservas. A procura foi muito maior: 235 ofertas de 37 empresas, totalizando 8.338 MW, quase 12 vezes a meta de 700 MW. Ao final, foram adjudicados 700,5 MW, distribuídos entre 20 projetos de cinco empresas em sete regiões. O prazo máximo de entrada em operação foi estendido até o fim de 2029, com aceitação de habilitações parciais e prêmio para quem antecipar o início da operação.

Como os preços caíram

O teto passou de US$ 15.000/MW-mês no AlmaGBA para US$ 12.500/MW-mês no AlmaSADI. A queda nos valores efetivamente contratados foi ainda maior.

  • Preço médio ponderado: de cerca de US$ 11.682/MW-mês para US$ 8.427/MW-mês, recuo próximo de 28%.
  • Menor preço adjudicado: de US$ 10.161/MW-mês para US$ 7.632/MW-mês.
  • Maior preço adjudicado: de US$ 12.815/MW-mês para US$ 9.705/MW-mês.

O AlmaSADI trouxe também um mecanismo de incentivo. Os lances abaixo da média ponderada receberam um acréscimo de 25% da diferença entre a oferta e essa média, que foi de US$ 8.338,54/MW-mês. A oferta mais baixa, perto de US$ 7.397/MW-mês, ganhou cerca de US$ 235/MW-mês e fechou em US$ 7.632/MW-mês. Segundo a ABSAE, isso representa uma redução de 32,68% em relação ao leilão anterior. Entre as explicações citadas estão o barateamento global das baterias, o aprendizado com o primeiro leilão, a maior previsibilidade contratual e a concorrência acirrada.

Requisitos técnicos e receitas acessórias

Os dois editais exigem que a potência contratada seja entregue por pelo menos quatro horas seguidas. Além do pagamento pela disponibilidade, a energia descarregada rende US$ 10/MWh. Em contrapartida, a diferença entre a energia consumida na carga e a devolvida na descarga, que inclui perdas e consumo auxiliar, é cobrada a US$ 20/MWh. Assim, a eficiência não é fixada em norma, mas vira um sinal econômico para o empreendedor.

No AlmaSADI, a recarga deve ocorrer normalmente em até seis horas, podendo chegar a oito. O despacho cabe à CAMMESA, com limite de 180 ciclos completos por ano. Pelo menos 30% da potência fica reservada para regulação primária de frequência, remunerada a US$ 5/MWh. A partir de 2037, energia, encargo de consumo e regulação passam a seguir o preço spot.

O que muda na prática para o setor de BESS

Para desenvolvedores brasileiros, a Argentina oferece uma referência regional concreta, em torno de US$ 7.600/MW-mês, para testar a viabilidade de projetos e calibrar lances em leilões nacionais de capacidade, como o LRCAP, que contrata potência disponível para o sistema. Também mostra que regras claras e contratos longos atraem muita concorrência e comprimem margens.

Para EPCs, prazos escalonados, habilitações parciais e prêmios por antecipação favorecem quem consegue cumprir cronogramas com folga. Para fabricantes e fornecedores, a exigência de quatro horas de descarga, a reserva para regulação de frequência e a penalidade econômica sobre as perdas valorizam baterias eficientes, com bom desempenho em ciclos e conversores capazes de responder rápido. Quem estruturar ofertas pensando em várias fontes de receita, e não só no pagamento por capacidade, tende a chegar mais competitivo aos certames brasileiros.

Fonte original: ABSAE — LEILÕES DE BATERIAS NA ARGENTINA MOSTRAM A COMPETIVIDADE DE BESS PARA SEGURANÇA ENERGÉTICA NA AMÉRICA LATINA

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