A Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae) anunciou que apoia a Casa Saberes da Amazônia, espaço montado pela 3e Soluções em Belém (PA) durante a COP30. Entre 13 e 20 de novembro, o local recebe uma programação de debates sobre energia, clima e desenvolvimento regional. A participação da entidade é conduzida pelo conselheiro Marcelo Rodrigues, que também ocupa a vice-presidência da UCB Power e defende o armazenamento como componente estratégico de um sistema energético limpo e resiliente para a Amazônia.
O que está na agenda da Casa Saberes da Amazônia
A programação prevê seis painéis que reúnem representantes do setor elétrico, do poder público e de profissionais ligados à agenda ESG. Os temas anunciados mostram que o foco vai além da transição energética em sentido amplo e se aproxima de desafios concretos da região:
- Pobreza energética, ou seja, a situação de famílias e comunidades sem acesso adequado, confiável ou acessível à eletricidade;
- Universalização do acesso à energia na Amazônia, um dos gargalos históricos do país em áreas remotas;
- Descarbonização da matriz e das atividades econômicas;
- Economia circular, tema que dialoga diretamente com o ciclo de vida de equipamentos como baterias;
- Inclusão de comunidades locais nos processos de decisão e nos benefícios dos projetos.
Ao realizar os encontros em paralelo às duas semanas de negociações da conferência do clima, o espaço busca dar visibilidade internacional a pautas que costumam ficar restritas a fóruns técnicos.
Por que o armazenamento entra nessa conversa
A presença de uma associação dedicada a baterias em um espaço voltado à Amazônia não é casual. Sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla BESS, permitem guardar a eletricidade produzida em um momento e liberá-la em outro. Em localidades isoladas, isso significa que a energia gerada por fontes renováveis intermitentes, como a solar, pode ser usada também à noite ou em períodos de baixa geração.
Essa capacidade é o que sustenta o argumento defendido por Marcelo Rodrigues: sem armazenamento, fica mais difícil construir um modelo energético que seja ao mesmo tempo limpo e resiliente. Em comunidades distantes da rede, as baterias podem compor microrredes híbridas, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e oferecer fornecimento mais estável. Ao associar o tema à pobreza energética e à universalização, a Absae posiciona a tecnologia não apenas como ferramenta de mercado, mas como instrumento de política pública e de inclusão social.
O vínculo com a economia circular também merece atenção. À medida que o uso de baterias cresce no Brasil, ganham importância discussões sobre reaproveitamento, reciclagem e destinação adequada ao fim da vida útil, aspectos que tendem a pesar cada vez mais na avaliação ESG de projetos.
O que muda na prática para o mercado de BESS
O evento não traz, por si só, novas regras ou contratos, mas sinaliza para onde a narrativa do setor está caminhando. Para quem atua na cadeia de armazenamento, alguns pontos se destacam:
- Desenvolvedores ganham argumentos para estruturar projetos que combinem geração renovável e baterias em sistemas isolados, com apelo social e climático.
- EPCs devem se preparar para demandas que exigem logística e engenharia adaptadas a regiões remotas, além de diálogo com comunidades locais.
- Fabricantes encontram espaço para apresentar soluções robustas e planos de reciclagem alinhados à economia circular.
- Fornecedores em geral passam a contar com uma vitrine qualificada, diante de governo e agentes do setor elétrico, para associar baterias ao combate à pobreza energética.
Para empresas que acompanham o amadurecimento do armazenamento no Brasil, a mensagem é clara: a pauta das baterias está deixando de ser apenas técnica e econômica para ocupar também o centro do debate sobre acesso à energia, justiça social e compromissos climáticos do país.
Fonte original: ABSAE — Durante as duas semanas de discussões da COP30, Absae apoia a Casa Saberes da Amazônia