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PDE 2035 prevê 6,6 GW de armazenamento de energia em baterias

Plano Decenal da EPE projeta 6,6 GW (19,6 GWh) de armazenamento em baterias até 2035, com crescimento a partir de 2028 e foco em sistemas de quatro horas.

Publicado em · ABSAE

A versão final do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), preparada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) com coordenação do Ministério de Minas e Energia, trata o armazenamento como peça necessária para expandir e operar o sistema elétrico brasileiro. No cenário de referência, a capacidade de armazenamento passa a crescer a partir de 2028 e chega a 6,6 GW, ou 19,6 GWh, em 2035. No mesmo período, o parque gerador total sai de cerca de 249 GW, em 2025, para 359 GW, puxado por solar, eólica, micro e minigeração distribuída e baterias. A análise da notícia foi divulgada pela ABSAE em 20 de julho de 2026.

Por que o plano aposta em baterias de quatro horas

O número de 6,6 GW tem um recorte importante: ele vem apenas do modelo que decide investimentos na geração centralizada para cobrir déficit de potência. Ficaram de fora soluções distribuídas, usos comerciais e industriais, sistemas isolados e aplicações em transmissão e distribuição. Ou seja, o mercado total tende a ser maior do que a cifra indica.

Segundo a EPE, o avanço do armazenamento se explica sobretudo pela necessidade de lidar com sobras de geração renovável e pela expectativa de queda no custo da tecnologia. Com mais sol e vento na matriz, o sistema tem energia em excesso durante o dia e falta de potência no começo da noite. Em uma das simulações, a sobreoferta aparece entre 8h e 15h, e a maior necessidade de geração, entre 19h e 23h.

Para ilustrar o papel das baterias, o estudo modelou um sistema de 2.000 MW e 8.000 MWh, que carrega nos períodos de excedente e descarrega quando a carga líquida está mais alta. O resultado mostra que equipamentos com duração de quatro horas se encaixam bem no perfil de necessidades identificado pelo planejamento.

Localização, flexibilidade e contratação

O PDE 2035 ressalta que o valor de um projeto de armazenamento depende de onde ele está conectado. Restrições de transmissão e a disponibilidade de capacidade para conexão influenciam diretamente a contribuição de cada empreendimento. Por isso, o plano defende que os mecanismos de contratação levem em conta a localização elétrica, e não só potência e energia.

O documento também admite que os critérios clássicos de energia e potência já não capturam todas as necessidades do sistema. Atender rampas e oferecer flexibilidade ganha peso à medida que a carga líquida fica mais variável. Na avaliação da Lei nº 15.269/2025, o plano indica que reduzir parte da expansão termelétrica obrigatória pode baratear a expansão e ampliar a fatia renovável, mas reforça a demanda por armazenamento e outros recursos flexíveis, principalmente no início do horizonte.

Como via de contratação, o PDE cita os Leilões de Reserva de Capacidade (LRCAP), certames em que o governo contrata disponibilidade de potência para garantir a segurança do suprimento. O plano considera que os primeiros leilões voltados a baterias estão alinhados ao que o planejamento aponta.

Baterias atrás do medidor

Outro capítulo examina o uso em consumidores residenciais, comerciais e industriais: deslocar consumo da ponta, substituir geradores a diesel, aumentar o autoconsumo da geração distribuída e melhorar a qualidade do fornecimento. Para clientes de alta tensão, a viabilidade depende do diferencial entre tarifas de ponta e fora de ponta e do perfil de carga.

  • Sistema comercial e industrial de 3 MWh: custo instalado próximo de R$ 1.920/kWh, com base em dados da ABSAE.
  • Sistemas residenciais: cerca de R$ 3.500/kWh, patamar ainda alto para adoção em massa.
  • Investimento acumulado potencial em armazenamento residencial até 2035: entre R$ 38 bilhões e R$ 200 bilhões, conforme a queda de custos e a adesão de quem tem geração distribuída.

A ABSAE avalia o plano como um avanço, mas aponta a falta de sinais econômicos e regulatórios, o que torna difícil projetar o mercado. A associação defende modernizar preços e tarifas, regular o armazenamento em transmissão e distribuição e criar mecanismos permanentes de contratação e remuneração.

O que muda na prática para o setor de BESS

  • Desenvolvedores: priorizar projetos de quatro horas e avaliar cedo a margem de conexão e as restrições de transmissão, já que a localização elétrica deve pesar na contratação.
  • EPCs: preparar capacidade de execução para uma demanda que o plano projeta a partir de 2028, ligada aos leilões de capacidade.
  • Fabricantes e fornecedores: acompanhar a evolução de custos, que o planejamento trata como fator decisivo, e olhar também para o segmento comercial e industrial, onde a diferença tarifária pode viabilizar projetos.
  • Todos: monitorar a regulação de remuneração de atributos como disponibilidade, duração, velocidade de resposta e serviços ao sistema, que definirá a receita dos projetos.

Fonte original: ABSAE — PDE 2035 PROJETA 6,6 GW DE ARMAZENAMENTO E REFORÇA PAPEL ESTRATÉGICO DAS BATERIAS NO BRASIL

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