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Armazenamento de energia: UE fecha acordo para 45 GW até 2028

União Europeia formaliza Acordo Tripartite para o Armazenamento de Energia e mira 45 GW entre 2026 e 2028, rumo a 200 GW em 2030. Veja lições para o Brasil.

Publicado em · ABSAE

A União Europeia formalizou, em 26 de junho de 2026, o Acordo Tripartite para o Armazenamento de Energia, uma coalizão que reúne a Comissão Europeia, os Estados-Membros, instituições financeiras e a indústria. O objetivo é reduzir riscos regulatórios e financeiros para destravar investimentos e levar a capacidade de armazenamento do bloco de cerca de 55 GW, registrados no início de 2026, para 200 GW até 2030, combinando projetos autônomos (standalone) e híbridos. A iniciativa já havia sido sinalizada no Relatório sobre o Estado da União da Energia de 2025. A análise do acordo, divulgada pela ABSAE, traz recados diretos para quem desenvolve projetos de baterias no Brasil.

As metas do acordo europeu

O pacto organiza seus compromissos em três frentes, todas com horizonte em 2028:

  • Expansão da capacidade: aumentar em ao menos 20% o ritmo anual de implantação de sistemas de armazenamento em relação à capacidade instalada em 2025, o que equivale a aproximadamente 45 GW entre 2026 e 2028.
  • Menor consumo de gás: fazer o armazenamento responder por cerca de 10% da demanda de ponta, contra aproximadamente 5% em 2025, aproveitando melhor a geração renovável.
  • Indústria eletrificada e competitiva: elevar os PPAs vinculados a ativos de armazenamento de 1,5 GW em 2026 para 4,5 GW em 2028; ampliar o armazenamento térmico comercial e industrial de 0,5 GWh para 1,5 GWh; subir de 5% para 20% a fatia de instalações colocalizadas com usinas renováveis; e expandir as baterias no segmento comercial e industrial de 9 GWh para 24 GWh.

A lógica por trás dos números é que o armazenamento ajuda a estabilizar preços, reduzir o curtailment (corte de geração renovável) e aliviar congestionamentos na rede.

Quem faz o quê

O diferencial do acordo é a divisão explícita de tarefas entre os agentes, em vez de ações dispersas:

  • Banco Europeu de Investimento (BEI): avalia incluir armazenamento no programa de € 500 milhões para PPAs corporativos, estender um pacote de € 1,5 bilhão em garantias à cadeia de suprimentos e oferecer crédito flexível, como dívida de risco e quase-capital.
  • Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD): deve ampliar aportes diretos e prestar consultoria técnica para que os países construam marcos regulatórios atrativos.
  • Comissão Europeia: trabalhará com o BEI em contragarantias para PPAs e na proteção da cadeia produtiva local, além de coordenar a execução e o intercâmbio de experiências.
  • Estados-Membros: prometem um ritmo de 30 GW instalados por ano, com menos burocracia e tarifas de rede justas e não discriminatórias para operadores de armazenamento.
  • Desenvolvedores e indústria: devem apresentar anualmente novos projetos replicáveis e dar transparência às projeções de demanda elétrica.

O avanço será medido todo ano até 2028, com indicadores como capacidade instalada, participação na ponta, volume de PPAs, armazenamento térmico, colocalização e baterias no segmento comercial e industrial.

A leitura da ABSAE para o Brasil

Para a associação, o caso europeu mostra que o armazenamento cresce quando há coordenação entre governo, reguladores, financiadores e setor produtivo, com metas claras, sinal de longo prazo e monitoramento. No Brasil, a ABSAE reconhece avanços, como a regulamentação resultante da Consulta Pública nº 39/2023 e o debate sobre a tarifa branca, que reforça sinais econômicos para deslocar consumo. Ainda faltam, porém, definições sobre acesso e uso da rede, tratamento tarifário, remuneração dos diferentes serviços prestados pelas baterias e instrumentos de financiamento adequados.

O que muda na prática para o mercado de BESS

Os leilões previstos para dezembro são, segundo a ABSAE, a oportunidade mais concreta para ganhar escala e consolidar os primeiros modelos de contratação no país. Para desenvolvedores, o momento pede projetos maduros e uma estratégia que considere arranjos autônomos, híbridos e colocalizados. EPCs devem se preparar para cronogramas de implantação mais apertados caso os certames se confirmem. Fabricantes e fornecedores têm na experiência europeia um alerta: garantias à cadeia de suprimentos e proteção da produção local entraram no centro da política industrial. A principal cobrança da ABSAE é que os leilões não sejam pontuais, mas parte de um calendário contínuo e previsível, alinhado ao planejamento e à operação do Sistema Interligado Nacional. Sem essa previsibilidade, o capital tende a hesitar; com ela, o Brasil pode repetir a receita que a Europa acaba de colocar no papel.

Fonte original: ABSAE — UNIÃO EUROPEIA FIRMA ACORDO PARA ACELERAR ARMAZENAMENTO DE ENERGIA ATÉ 2028

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