Na terça-feira, 11 de agosto de 2026, o presidente executivo da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, falou no Plenário do Senado Federal durante uma sessão de debates sobre políticas públicas para energias renováveis e o potencial do Brasil de liderar a transição energética global. Representando a fonte solar e o armazenamento de energia elétrica, ele apresentou dados de crescimento do setor e levou aos senadores três pedidos que interessam diretamente a quem desenvolve, constrói e fornece sistemas de baterias: reduzir a tributação sobre o armazenamento, facilitar o acesso da solar ao Reidi e mudar a forma de custear os leilões de baterias.
Um debate com governo, organismos internacionais e entidades setoriais
A sessão contou com representantes do poder público, de organismos internacionais e de associações das fontes renováveis. Entre os participantes estava Natália Oliveira, da Global Renewables Alliance (GRA), entidade que divulgou recentemente uma carta dirigida aos candidatos à Presidência, elaborada em conjunto pelas fontes renováveis. O encontro ocorre, portanto, num momento em que o setor tenta colocar suas prioridades na agenda política nacional.
Para sustentar seus argumentos, Sauaia destacou o peso que a fotovoltaica já tem no sistema elétrico brasileiro:
- a solar respondeu por 77% da potência renovável adicionada em 2025;
- é a segunda maior fonte da matriz elétrica do país, com 27,4% da potência instalada;
- tem forte capacidade de gerar renda e empregos locais.
Baterias como pilar de segurança, mas com tributação pesada
O ponto central para o mercado de BESS foi a defesa do armazenamento como um dos pilares da segurança energética do Brasil. Sistemas de baterias conseguem guardar energia em momentos de sobra e devolvê-la quando a demanda sobe ou a geração variável cai, além de oferecer serviços de estabilidade à rede. À medida que a participação solar cresce, essa flexibilidade se torna mais relevante.
O obstáculo apontado por Sauaia é a carga tributária, que ele classificou como desproporcional e superior a 80% sobre a tecnologia. Na prática, um peso dessa dimensão encarece equipamentos importados e nacionais, piora a viabilidade financeira dos projetos e reduz a competitividade do armazenamento frente a outras soluções.
Reidi e custeio dos leilões de baterias
Sauaia também pediu ajustes em pontos que hoje dificultam o enquadramento da solar no Reidi, o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura. De forma geral, o regime suspende a cobrança de determinados tributos federais sobre bens e serviços destinados a obras de infraestrutura habilitadas, aliviando o investimento inicial.
Outro pedido envolve os leilões de baterias. Leilões de capacidade contratam recursos capazes de garantir potência ao sistema quando necessário, e a forma como esse custo é repassado define quem paga a conta. A ABSOLAR propõe que o investimento seja rateado entre todos os agentes do setor, seguindo o mesmo modelo adotado nos leilões de termelétricas fósseis, o que colocaria as baterias em pé de igualdade com essas usinas.
Por fim, o executivo defendeu que o país tem condições de atrair novas cargas elétricas, como data centers, produção de hidrogênio verde, eletromobilidade e eletrificação de setores produtivos, demandas que reforçam a necessidade de flexibilidade e armazenamento.
O que muda na prática para o mercado de BESS
Nenhuma das propostas virou regra ainda, mas a fala no Senado dá visibilidade institucional a pautas que pesam no caixa dos projetos. Para cada elo da cadeia, os pontos de atenção são:
- Desenvolvedores: acompanhar a discussão sobre o custeio dos leilões de baterias, já que um rateio amplo pode alterar a atratividade e o desenho das futuras contratações.
- EPCs: monitorar eventuais mudanças no Reidi, que podem reduzir o custo de implantação e mexer no orçamento das obras.
- Fabricantes e fornecedores: uma redução da carga tributária acima de 80% teria efeito direto sobre o preço final dos equipamentos e a escala do mercado.
- Todos os agentes: manter cenários financeiros com e sem as mudanças, evitando decisões de investimento baseadas em propostas ainda em debate.
O recado é que o armazenamento passou a fazer parte do discurso oficial do setor solar no Congresso, e o avanço dessas pautas tende a definir o ritmo de expansão das baterias no Brasil.
Fonte original: ABSOLAR — No Senado, ABSOLAR destaca o papel da fonte solar e do armazenamento na transição energética do Brasil e propõe melhorias ao setor