Um artigo publicado pela Greener em 13 de julho de 2026 reúne 26 riscos que podem decidir se os projetos inscritos no primeiro Leilão de Reserva de Capacidade voltado ao armazenamento, o LRCAP Armazenamento 2026, vão conseguir financiamento. A análise chama atenção para um desequilíbrio no debate sobre o certame. Até aqui, a discussão tem girado em torno do preço das baterias, da competitividade dos lances e do acesso a crédito, e outros fatores de risco acabaram ficando em segundo plano.
O que está em jogo no primeiro leilão de baterias
O LRCAP é um mecanismo de contratação em que o sistema elétrico paga pela disponibilidade de potência, e não apenas pela energia entregue. O objetivo é garantir que haja recursos prontos para atender a demanda nos momentos de maior pressão sobre a rede. Na edição de 2026, pela primeira vez no Brasil, essa contratação será dedicada a sistemas de armazenamento em baterias, conhecidos como BESS (Battery Energy Storage Systems).
Por ser inédito, o leilão não tem histórico que sirva de referência para investidores e financiadores. Por isso a pergunta sobre bancabilidade pesa tanto. Um projeto é bancável quando seus riscos estão identificados, distribuídos entre as partes e mitigados a ponto de bancos e fundos aceitarem financiá-lo em condições viáveis. Um lance competitivo, por si só, não basta para isso.
Por que olhar além do preço das baterias
O ponto central do artigo da Greener é que concentrar a atenção no custo dos equipamentos e no valor dos lances dá uma visão incompleta. Quando a Greener aponta 26 riscos, o recado é que a viabilidade financeira de um BESS contratado em leilão depende de vários elementos que precisam ser avaliados juntos.
Em projetos de armazenamento de forma geral, a análise de quem financia costuma passar por algumas frentes:
- Riscos regulatórios e contratuais: como as regras de remuneração, as penalidades e as obrigações de disponibilidade são definidas e aplicadas ao longo do contrato.
- Riscos de conexão: a existência de margem de conexão na rede, ou seja, capacidade disponível para escoar e receber a potência do projeto no ponto escolhido.
- Riscos de implantação: prazos de obra, logística de importação e desempenho de quem executa o projeto.
- Riscos tecnológicos e operacionais: degradação das baterias, garantias dos fabricantes e capacidade de cumprir os requisitos técnicos durante toda a vigência.
- Riscos de suprimento: eventuais exigências de conteúdo local e a dependência de cadeias de fornecimento externas.
Essas categorias são uma referência conceitual para quem vai estruturar projetos. O ponto que a Greener destaca é justamente que esse conjunto mais amplo de fatores não tem recebido a mesma atenção que o preço.
O papel dos financiadores
Em leilões de capacidade, o lance vencedor fixa a receita do projeto. Se ele for calculado sem considerar riscos que depois se concretizam, a margem pode desaparecer. Quem empresta dinheiro olha justamente para essa diferença entre a receita contratada e os custos e penalidades possíveis. Quanto mais riscos ficarem sem mapeamento, maior tende a ser a exigência de garantias e mais difícil a estruturação da dívida.
O que muda na prática para o mercado de BESS
Para os desenvolvedores que pretendem disputar o LRCAP Armazenamento 2026, o recado é montar uma matriz de riscos completa antes de definir o lance. Precificar só a bateria não é suficiente. A estratégia de preço precisa refletir conexão, contrato, operação e prazo.
Para as EPCs, a tendência é de cobrança maior por compromissos claros de cronograma, desempenho e responsabilidade contratual, já que esses itens entram diretamente na avaliação de bancabilidade.
Para fabricantes e fornecedores, ganham peso as garantias de desempenho, a previsibilidade de entrega e a documentação técnica que permita ao financiador entender o comportamento do equipamento ao longo do contrato.
Em resumo, o primeiro leilão de baterias do Brasil tende a favorecer quem chegar com projetos estruturados de forma integral, e não apenas quem oferecer o menor preço.
Fonte original: Greener — 26 riscos que podem definir a bancabilidade do primeiro leilão de baterias do Brasil